domingo, 16 de maio de 2010

Importações de vestuário mais baratas


As importações norte-americanas de vestuário com origem na China cresceram mais de 10% em volume, apesar da economia dos EUA estar em recessão. Um aumento conseguido através da redução acentuada de preços, que originou uma queda para o nível mais baixo dos últimos 20 anos.


O preço médio das importações de vestuário dos EUA caíram para o seu nível mais baixo em mais de 20 anos, de acordo com o revelado pela Textiles Intelligence. Cifrado nos 2,96 dólares por metro quadrado equivalente em 2009, o preço decresceu 6,1% em relação ao ano anterior, sendo 21% inferior ao preço médio de cerca de 3,75 dólares por metro quadrado equivalente, que prevaleceu durante boa parte da década de 1990. A queda terá consequências graves para os fornecedores de vestuário nos EUA e no exterior, que estão a lutar contra a constante diminuição das margens.

Uma das principais causas foi a eliminação das restrições de salvaguarda sobre as importações provenientes da China no final de 2008. Depois dos fornecimentos não serem mais limitados, as importações da China em volume cresceram 10,7%, apesar da economia norte-americana estar em recessão. No entanto, o aumento foi conseguido pela redução de preços, pelo menos nas categorias que tinham sido sujeitas a restrições durante 2006/2008.

No caso das camisas de malha em algodão para homem e rapaz, o preço médio das importações provenientes da China caiu 25% em 2009. Noutras duas categorias, calças de algodão para homem e para senhora, a queda foi de 20%. As importações de camisas de malha em algodão para senhora e menina registaram uma queda de 18% no preço.

A queda nos preços chineses forçou outros fornecedores a seguirem o mesmo caminho, incluindo no Vietname. Com efeito, os preços do vestuário vietnamita caíram pela primeira vez desde 2000, o que serve como indicação da pressão a que os produtores localizados neste país estão sujeitos.

A 3,14 dólares por metro quadrado equivalente, o preço médio das importações de vestuário do Vietname estava no seu nível mais baixo desde 2002. Além disso, a queda foi em nítido contraste com os aumentos registados entre 2000 e 2008, que viram os preços do vestuário vietnamita mais que duplicar, partindo dos 1,58 dólares até aos 3,42 dólares por metro quadrado equivalente.

O aumento das importações da China e a queda nos preços chineses tiveram um grave efeito em cadeia nos fornecedores mais próximos do mercado norte-americano. As importações de vestuário dos EUA com origem no México e nas Honduras, por exemplo, caíram a taxas de dois dígitos em 2009, em termos de valor e volume. Além disso, a diminuição das importações de vestuário provenientes do México e Honduras atingiu a indústria têxtil norte-americana. Esta situação resulta do facto de uma grande parte das importações provenientes da América Central e países das Caraíbas serem produzidas com fios e tecidos norte-americanos, enquanto que as importações provenientes de países asiáticos têm pouco ou nenhum conteúdo com origem nos EUA.

Não surpreende que estas circunstâncias tenham um efeito negativo sobre a produção norte-americana e, mais especificamente, sobre a utilização de algodão em cru. Na realidade, o Departamento da Agricultura dos EUA (USDA) previu que a quantidade de algodão em cru utilizada pelas fábricas têxteis norte-americanas na estação de 2009/2010 caísse para o nível mais baixo em 115 anos.

Além disso, existem sinais de que o aumento das importações provenientes da China pode estar a chegar ao fim, à medida que os comerciantes procuram outras fontes. Por exemplo, a Li & Fung está a planear reduzir a sua dependência da China, deslocando algum do seu aprovisionamento para outros países. A decisão da empresa foi motivada pelo aumento dos custos e pela escassez de mão-de-obra no Império do Meio, à medida que as encomendas aumentam e a produção recupera. A decisão foi também ponderada com base na possibilidade do yuan ser reavaliado em resposta à crescente pressão do governo norte-americano. Existe um sentimento cada vez maior de proteccionismo nos EUA que poderia levar a novas restrições no comércio com a China.

Mas existem poucos sinais de que os compradores irão intensificar as suas aquisições nos EUA ou até mesmo na América Latina. Em vez disso, vão deslocar-se para países como Vietname e Bangladesh, que podem fornecer grandes volumes a preços baixos.

Fonte:portugaltextil.com

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