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terça-feira, 29 de março de 2011

Morre José Alencar, exemplo de perseverança e sucesso

O ex-vice-presidente da República José Alencar faleceu na tarde de hoje, 29 de março de 2011, no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Alencar morreu aos 79, por falência múltipla de órgãos, após uma luta que perdurou anos contra um tumor cancerígeno na região do abdômen. O vice-presidente havia sido internado ontem, conforme divulgou a instituição de saúde.

“José Alencar deixa saudades. Ele é uma positiva referência para o setor, para os jovens, os empresários e políticos e, acima de tudo, para aqueles que acreditam na honestidade, no trabalho e na fé como base para a construção de um futuro melhor e mais justo para todos. Por tudo isso e muito mais, o nosso estimado companheiro, que sempre dignificou, defendeu e fez maior o nosso setor no Brasil e no mundo, merece nosso reconhecimento e admiração”, disse Aguinaldo Diniz Filho, presidente da ABIT.

Alencar havia recebido em março de 2010, em São Paulo, a “Medalha do Mérito” concedida pela ABIT por conta de sua trajetória que marcou o Brasil e a indústria têxtil brasileira.

A história

Começava em 17 de outubro de 1931, em Itamuri (MG), a história de um dos grandes homens do Brasil. Nascia ali, José Alencar Gomes da Silva, filho da dona de casa Dolores Peres Gomes da Silva e do mercadante Antônio Gomes da Silva.

Aos sete anos de idade começou a ajudar no comércio de seu pai, aprendendo desde cedo o valor do trabalho. Quando fez quinze anos decidiu deixar a família e buscar sua própria independência. Foi morar em Muriaé (MG) onde atuou como balconista em uma loja de tecidos chamada Sedutora e sobrevivia com o salário de 300 cruzeiros, que o obrigava a dormir no corredor do Hotel da Estação, pois o que ganhava não era suficiente para pagar um quarto. Em maio de 1948, José Alencar se mudou para Caratinga (MG), para ser vendedor na “Casa Bonfim”, onde foi reconhecido como um bom profissional.

Com dezoito anos começou seu primeiro negócio e, em março de 1950, inaugurou a loja “A Queimadeira” na Avenida Olegário Maciel, em Caratinga, que também passou a ser sua moradia para economizar custos. Para iniciar sua vida de empresário, José Alencar contou com a ajuda de seu irmão mais velho, Geraldo Gomes, que lhe emprestou quinze mil cruzeiros. O comércio dispunha de diversos artigos como sapatos, guarda-chuvas e tecidos. O empreendimento durou até 1953, quando Alencar vendeu o bazar e mudou de ramo.

Com o que recebeu de pagamento da venda do pequeno comércio, o jovem idealista iniciou seu segundo negócio, desta vez na área de cereais. Em seguida formou uma parceria com José Carlos de Oliveira, Wantuil Teixeira de Paula e seu irmão Antônio Gomes, na “Fábrica de Macarrão Santa Cruz”. No Natal de 1959, Geraldo Gomes faleceu, deixando sua parte da empresa União dos Cometas para Alencar, que obteve o controle da fábrica e alterou a razão social da organização para o nome do irmão em sua homenagem.

Em 1963 Alencar fundou uma nova organização, chamada Companhia Industrial de Roupas União dos Cometas, que mais tarde mudou para Wembley Roupas S.A. Já em 1967, resultado de uma união de negócios com o empresário e deputado à época, Luiz de Paula Ferreira, foi fundada a Cia. de Tecidos Norte de Minas, Coteminas.

A inauguração da fábrica de fiação mais moderna do Brasil aconteceu em 1975 e, desde então, a empresa não parou de crescer. Desde janeiro de 2006 — ao formar e liderar o grupo “Springs Global” —, tornou-se forte multinacional brasileira, fabricando e distribuindo, no Brasil e no Exterior, os mais variados produtos que trazem etiquetas de conceituadas marcas. A Coteminas consome cerca de 100 mil toneladas de fibra anualmente, tem quinze unidades no País, cinco nos Estados Unidos, duas no México e uma na Argentina que fabricam e distribuem fios, tecidos e malhas para o mundo, além de empregar 15 mil funcionários.

Como empresário, José Alencar dedicou-se também às entidades de classe empresarial, onde assumiu a presidência da Associação Comercial de Ubá e a direção da Associação Comercial de Minas, entre outros cargos de diretoria e presidências em outros institutos.

Em 1994 colocou sua experiência administrativa a serviço do Brasil, quando disputou a vaga de Governador do Estado de Minas Gerais. Quatro anos depois candidatou-se ao cargo de Senador Federal e elegeu-se com quase três milhões de votos. Já em janeiro de 2003, com a vitória de Lula nas eleições presidenciais, Alencar tornou-se vice-presidente da República, posto ocupado até o dezembro de 2010.










sexta-feira, 25 de março de 2011

Seis erros que um profissional qualificado deve evitar

Seis erros que um profissional qualificado deve evitar

Inácio Dantas

1.Trabalhar infeliz. A infelicidade bloqueia a mente, tolhe as ideias, reduz o pique produtivo e é causa de falhas e acidentes de trabalho.

Dica: Se o ambiente ou o que você faz não lhe traz felicidade e prazer, mude de profissão ou de empresa. A sinergia trabalho-felicidade é uma usina dentro de nós a gerar, para a empresa produtividade, para nós crescimento profissional.

2.Imaturidade. Brincadeiras com coisas sérias, piadas fora de hora, não cumprir horários e cronogramas, deixar para os outros responsabilidades que são suas, são alguns exemplos de imaturidade.

Dica: Você pode até ser jovem para uma função adulta, mas, lembre-se, a conduta faz o homem. A imaturidade está mais nos pensamentos e nas ações do que na idade física.

3.Falta de valorização própria. Você tem um cabedal de conhecimento, disposição para enfrentar desafios, mas não se autovaloriza. A falta de orgulho, de amor no que faz e o fazer pelo simples ganho financeiro o torna mediano, um profissional sem luz própria.

Dica: Coloque para cima a autoestima. “Você é mais você!”. Valorize sua experiência, seu saber, sua cultura. Se você não se valorizar, ninguém o fará por você.

4.Trabalhar em excesso. A ideia de levar serviço para casa e trocar o laser pelo fazer pode ser um indutor de melhor remuneração, mas certamente é também da fadiga física e do estresse. Sua jornada de trabalho na empresa já o leva aos limites das forças. Evite ao máximo a dupla jornada.

Dica: Mesmo que você adore trabalhar, seja racional e não faça mais do que suas energias permitem. Ganhar dinheiro e perder saúde não é uma combinação inteligente.

5.Irritar-se facilmente. Quando um colega discorda dos seus métodos você perde a paciência, muda o humor e esbraveja. Com isso perde a razão e diminui seu conceito profissional.

Dica: Evite reações automáticas. Controle a irritação. Reflita, inspire fundo e avalie o que lhe é proposto. Há boas sugestões que podem se somar à suas e propiciar trabalhos em alto nível.

6.Achar-se o “sabe tudo”. Erro fatal. Recicle essa autoavaliação. Você pode saber muito de muita coisa, mas não sabe tudo de tudo. De repente você pode ser questionado e ter que se dobrar a perguntas sem respostas.

Dica: Aceite o saber dos outros. Interaja harmonicamente procurando ensinar e aprender. Diálogo em alto nível traz melhoria nas relações humanas e profissionais.

Inácio Dantas - © do livro “Como se tornar um profissional de Alto Impacto”

quinta-feira, 24 de março de 2011

Profissional Operacional ou Estratégico

Não encontre defeitos, encontre soluções. Qualquer um sabe se queixar. Resolver é mais difícil. – Henry Ford

Esta frase resume o pensamento de muitos empresarios, empreendedores, advogados, contadores, médicos, vendedores, donos de empresas, etc.

Encontramos no mercado muitos profissionais. Alguns dizem que o mercado está “saturado”. Para outros faltam oportunidades.

Discordo veemente.

O mercado está saturado de profissionais que sequer sabem como reagir diante da frase de Henry Ford. E, procura com muitas vagas em aberto, profissionais que saibam como seguir o ensinamento da mesma frase.

Como assim?

Muitos profissionais se definem como pró-ativos, como determinados, como formadores de opinião. Muitos tem o ego maior que suas reais capacidades.

Outros, por sua vez, ao invés de buscarem sua capacidade e foco no negócio, ficam focados apenas em ganhar dinheiro.

Dois pontos de vista totalmente equivocados.

Para ser pró-ativo, o caminho começa dentro de si mesmo. Para ser um formador de opinião, primeiro deve-se ter uma opinião, respeitar a opinião alheia, ponderar o certo e errado e admitir que nem sempre o caminho que escolhemos pode ser o caminho correto.

A introspecção e autoconhecimento são elementos fortes e básicos para quem quer se posicionar no mercado de trabalho.

O mesmo vale para ganhar dinheiro, assunto que domina o debate de muitos profissionais:

“É porque o fulano ganhou 3 milhões e eu ganhei cem mil no ultimo ano” “eu faço todo trabalho e ganho um salário de R$ 2000,00 enquanto o chefe não faz nada e ganha no mínimo R$ 20.000,00 no mês” e por aí vai…

Dinheiro é consequencia e não objetivo.

Se o dono do negócio ganha muito mais que você, sinal de que você terá que trabalhar, desenvolver a sua estória de vida, trilhar o seu caminho para ganhar tanto quanto ele ganha. Outra forma, já aprendendo a usar a frase de Henry Ford, é ser um profissional estratégico e não um profissional operacional.

Como assim?

Se você pensa que ficar fazendo petições atrás de uma mesa é ser estratégico, você está enganado.

Ser estratégico é pensar no negócio como um todo, buscando soluções de redução de despesas, melhorias de fluxos internos, administração de conflitos (soluções e não queixas) e por aí vai.

Se você é estratégico e seu chefe não reconhece você, troque de empresa!

O mercado está sedento de pessoas que tragam soluções e não problemas!!!

Contudo, antes de tomar qualquer atitude neste sentido, reflita:

Conheço meus potenciais reais?

Sei meus limites de tensão e controle emocional?

Estou preparado para trabalhar pensando em conquistas de futuro (tempo) e não imediatismo?

Com estas perguntas iniciais e muita reflexão/pensar você poderá estar preparado para ser estratégico e não operacional.

Pense e aja nisto!

Fonte:ogerente.com.br

O Efeito Colateral da Competencia


Dias atrás, numa conversa informal, escutei a história, em primeira mão, de um profissional que acaba de ser demitido graças à sua competência e aos ótimos resultados alcançados até então. É justo que você pense: “Este profissional deve ter cometido algum deslize e agora está querendo apenas posar de injustiçado!” Infelizmente, não é o caso.

Há dois anos ele atuava na empresa que o desligou e seus números foram muito melhores e consistentes do que os esperados pela organização. Porém, depois de algum tempo, profissionais de uma outra companhia do grupo no qual atua literalmente “pediram sua cabeça”, pois a performance obtida por ele estava atrapalhando o alcance dos resultados daquela. Como era a parte mais frágil desta relação, acabou pagando o pato.

Não é a primeira vez que isto ocorre e nem será a última. Profissionais muito competentes angariam adversários em diferentes ambientes organizacionais, pois mexem com o status quo. Fazem com que muita gente tenha de encontrar explicações para seu desempenho pífio e isto é particularmente complicado se estes não possuem condições de fazer mais e/ou melhor do que aqueles.

O deslize cometido pelo profissional em questão também é o mesmo de muitas outras pessoas: acreditar que apenas o alcance de resultados é suficiente para se manter numa posição de destaque frente aos demais e, especialmente, privilegiado pelos altos executivos ou sócios do negócio.

Há um bom tempo já não basta ser competente tecnicamente. Também é imprescindível que a pessoa consiga manter equilibradas as relações que o sustentam dentro da companhia. Para ser mais claro, é preciso avaliar quais brigas podem ser assumidas e aquelas a serem evitadas, pois adversários internos geram custos futuros para quem pretende continuar no mesmo lugar.

Não estou afirmando com isto que o profissional deva fugir dos conflitos, mas sim ter a consciência de que seu sucesso depende – e muito – de como ele consegue administrá-los. Afinal de contas, o adversário de um projeto atual pode ser o financiador do plano seguinte e, portanto, deixar as portas abertas acaba sendo uma atitude sensata.

Construir alianças estratégicas na companhia, grupo empresarial ou mercado é mais do que apenas fazer conchavos ou tentar agradar a todos. Trata-se da capacidade de compreender a cultura do local em que trabalha e saber posicionar-se, isto é, avaliar os momentos no qual se deve avançar e aqueles que requerem recuos momentâneos.

O lado bom desta história é que o profissional demitido rapidamente conseguirá se recolocar no mercado por gozar de um alto grau de empregabilidade. Já a empresa poderá repetir outras vezes o movimento de dilapidar os talentos que lutam por ela, mas são incompreendidos.

As organizações estão em busca de pessoas competentes para seus quadros, mas nem sempre conseguem lidar com elas. Ao privilegiar a mediocridade e desestimular os conflitos que a transformariam não percebem que expurgam – involuntariamente ou por decisão própria – justamente aqueles que poderiam garantir a elas um amanhã promissor.

Cuidado para que isto também não ocorra em sua companhia!

Autor: Wellington Moreira – wellington@caputconsultoria.com.br

Fonte:ogerente.com.br







Agreste Pernambucano Produz Moda do Pop ao Top

O total de 15% das vitrines de todo o Brasil são abastecidas por confecções produzidas na região

Nas cidades de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, empresários de todo o Brasil compram confecções e abastecem suas lojas (Luana Ribeiro)

O polo de moda do agreste pernambucano vem ganhando destaque por democratizar a moda. Nas cidades de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Tanutama, empresários de todo o País compram confecções e abastecem suas lojas. Muitos compradores vão até a região atraídos pelo preço, que varia de R$ 8,50 a R$ 40 a peça, no atacado.

A qualidade dos produtos, porém, não é deixada de lado e as últimas tendências também fazem parte das araras. “O Agreste produz moda do pop ao top”, disse a consultora de mercado, Christiane Fiúsa, durante a 11ª Rodada de Negócios da Moda Pernambucana, que encerrou essa semana na cidade de Caruaru.

“Por conta da tradição, grande parte da produção é popular, ainda pensando nas classes C, D e E. Mas muitas fábricas aqui já migraram do popular para o mercado de luxo, com moda para a classe A e B”, conta o estilista Luiz Clerio. “O mercado está esteticamente plural, o que você vê nas lojas de ‘fast fashion’ é moda plural. Isso significa que o popular hoje não é qualquer coisa”, completa.

Luiz Cleiro, que faz o trabalho de consultoria de moda para fábricas do Polo de Moda do Agreste Pernambucano, diz que grande parte do mercado busca inspiração nos desfiles de moda internacionais, mas adverte: “A moda é planetária, mas o consumo é regional. É preciso entender a cabeça do consumidor”. Não a toa, é preciso agradar diversos públicos, afinal, 15% das vitrines de todo o Brasil são abastecidas por confecções produzidas na região.


Fonte:acritica.uol.com.br








quarta-feira, 23 de março de 2011

Festa do Interior - Porque grandes e pequenas empresas patrocinam a camisa de modestos times de fut

O que leva grandes e pequenas empresas a patrocinar a camisa de modestos times de futebol em campeonatos regionais?

A operadora de planos de saúde Sobam nunca fez um anúncio publicitário em televisão. Ainda assim, a marca “apareceu” 171 mil segundos nas principais emissoras de tevê entre janeiro e maio de 2010.

Se tivesse de comprar espaço publicitário equivalente a quase 50 horas de exposição, a empresa de Jundiaí teria que desembolsar cerca de R$ 24,1 milhões.


Pinheiro, da sobam: exposição da marca da empresa na tevê teria custado R$ 24,1 milhões.

Em vez disso, o investimento da Sobam para tamanha exposição não passa de R$ 200 mil por ano. Esse é o valor que a empresa paga para patrocinar o Paulista Futebol Clube, de Jundiaí, a 60 quilômetros de São Paulo.

“A população da cidade é de 800 mil habitantes e a Sobam tem 150 mil associados”, afirma Paulo de Luna Pinheiro, diretor da Sobam. O Paulista, é verdade, não é uma grande potência do futebol nacional.

Não registra nem sequer um batalhão de repórteres no encalço de seus craques. O que torna o investimento atrativo são os embates com os grandes da capital, como Corinthians, Palmeiras e São Paulo, transmitidos ao vivo pela tevê aberta, por assinatura ou pay-per-view, durante os campeonatos regionais.

O patrocínio da camisa de pequenos times do interior tem atraído desde empresas de menor porte, como a Sobam e o grupo Pakera, de Magé (RJ), a grandalhonas como a operadora de telefonia Embratel e o banco BMG.

O Pakera, por exemplo, fabrica a marca de refrigerantes Tobi, que está estampada na camisa do Duque de Caxias, time que disputa o campeonato carioca.

Rodrigues, do pakera: vendas do guaraná Tobi cresceram 30% com patrocínio ao Duque de Caxias.

Se o futebol do Duque de Caxias deixa a desejar, o mesmo não se pode dizer das vendas do guaraná. Elas cresceram mais de 30% desde que passaram a aparecer na camisa da agremiação.

“O retorno é sensacional”, afirma Cláudio Vieira Rodrigues, diretor do grupo Pakera. “Estou impressionadíssimo.” Tão impressionado que aproveitou a experiência adquirida com o “Tricolor da Baixada” e fez um anúncio de oportunidade na camisa do Boavista, de Saquarema, nos dois jogos finais da Taça Guanabara contra o Fluminense e o Flamengo.

Rodrigues diz que, por contrato, não pode revelar os valores investidos na empreitada, mas fontes do mercado estimam em R$ 500 mil por ano o valor gasto no Duque de Caxias e em R$ 10 mil por jogo o investido na camisa do Boavista.

“É um bom negócio, principalmente para quem não tem grandes somas para fazer propaganda”, afirma Toni Lauletta, diretor-presidente da Informídia, pioneira em medir a exposição de marcas nas camisas de times de futebol. “Não é uma estratégia para tornar a marca conhecida nacionalmente, mas para a cidade- sede do time faz muita diferença.”

No caso do Pakera, contudo, colocar a marca Tobi no Duque de Caxias e no Boavista rendeu frutos para além dos gramados cariocas. “Hoje, um vendedor nosso não precisa explicar quem somos”, afirma Rodrigues. “Ficamos conhecidos nacionalmente.”

Essa, por sinal, foi a aposta da pioneira Embratel, a primeira empresa a descobrir o futebol interiorano. Em meados da década de 1990, a companhia, em uma só tacada, patrocinou todos os times do interior de São Paulo como forma de popularizar sua marca.

Com os bons resultados, outras empresas de maior porte se dispuseram a apostar nessa variante menos badalada do marketing esportivo.

Uma delas é a Lupo, fabricante de meias, de Araraquara, cuja marca passou a frequentar calções e camisas com bastante assiduidade, mais ou menos na mesma época que a Embratel.

“Fomos uma das primeiras a investir no futebol do interior”, afirma Valquírio Cabral Jr., diretor comercial da Lupo. Os investimentos, segundo ele, variam entre R$ 100 mil e R$ 120 mil, dependendo do time e da região. O apoio aos times de futebol fez com que a companhia lançasse, no final de 2009, uma linha de material esportivo.

A previsão inicial era faturar R$ 15 milhões com os novos itens, mas agora é chegar ao final de 2011 com uma receita de R$ 50 milhões.

Se para os anunciantes é um bom negócio, para os clubes de menor expressão a presença de patrocinadores pode significar a sobrevivência por mais uma temporada. O Boavista, vice-campeão da Taça Guanabara, arrecadou cerca de R$ 500 mil em patrocínios na temporada de 2010.

“Eventualmente a gente consegue levantar um dinheirinho extra”, afirma João Paulo Magalhães Lins, gestor de futebol do time. “Mas é só eventualmente.”

FONTE: ISTO É DINHEIRO


terça-feira, 22 de março de 2011

Setor de vestuário registra expansão nas franquias em 2010


As redes do setor de vestuário que trabalham com o sistema de franquias no Brasil faturaram no ano passado R$ 6,5 bilhões, crescimento de 29% com relação ao registrado em 2009. Já o faturamento geral das empresas que operam franquias no país aumentou 20,4%, ficando em R$ 75 bilhões, informa pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Com o desempenho de 2010, o setor de vestuário registrou o terceiro maior crescimento entre os 12 segmentos analisados pela entidade, ficando atrás apenas de Alimentação (39,9%) e Acessórios Pessoais e Calçados (29,9%), e respondendo por participação de 8,6% no total do faturamento das franquias. O crescimento acima da média no vestuário, no entanto, ficou abaixo da evolução verificada entre 2008 e 2009, quando o setor cresceu 37,5% no faturamento das redes franqueadas, considerando no cálculo também as unidades próprias.

De todo modo, o cenário é positivo, segundo aponta Ricardo Camargo, diretor executivo da ABF. “Os setores que mais cresceram estão intimamente ligados ao aumento do poder de compra da população”, afirma ele, lembrando, porém, que o aquecimento do mercado imobiliário é um fator que pode inibir a abertura de novas unidades, sobretudo em shopping centers.

A expectativa para 2010 era de crescimento de 10% no número de pontos de vendas, considerando todos os segmentos analisados. Mas o registrado foi expansão de 8%, uma diferença de 1.600 novas unidades. Para o vestuário, de novo acima da média, o aumento nesse quesito foi de 18%, chegando a 5.073 unidades, entre franqueadas e próprias.

Rumo ao nordeste

Mesmo cautelosas em relação aos efeitos da bolha do mercado imobiliário, as marcas ouvidas pelo GBLjeans planejam expandir as franquias em 2011. A Checklist, que hoje tem 16 lojas franqueadas, quer passar para 25 até o final deste ano, consolidando a presença nas regiões norte e centro-oeste. Lúcia Barroso, gerente de franquias da rede, cita o alto preço dos imóveis como um dos motivos para buscar outros mercados. “No Rio de Janeiro, a marca já está consolidada. Além disso, os shoppings na cidade estão cobrando valores muito altos, irreais”, justifica a executiva.

A Elementais informou querer aumentar de 14 para 19 o número de franquias nos próximos meses, com foco no nordeste e sudeste. A Folic, hoje com 23 pontos de franquias, não cita números, mas diz que planeja chegar às capitais onde ainda não está presente, principalmente nos estados do nordeste. E a Toulon, com 11 franquias atuais, diz ter previsão de abrir mais seis unidades em 2011, também focando as regiões nordeste e sudeste. Os planos coincidem com as perspectivas apresentadas pelo presidente da ABF, segundo quem o interior paulista e os estados nordestinos devem ter os maiores crescimentos de franquias nos próximos anos.

Rigor na escolha

Ter uma franquia pode parecer um investimento ideal para quem não quer arriscar muito e uma boa opção para a empresa que busca expansão, mas há certas características próprias desse tipo de negócio que devem ser analisadas pelos dois lados da operação, franqueado e franqueador.

“Primeiro, a empresa deverá analisar se tem condições de ser franqueadora, de criar um modelo de gestão, se suas operações e procedimentos são replicáveis e se conseguirá monitorar e acompanhar essas operações. Em muitos casos, precisarão ser feitas algumas mudanças internas e criação de cargos que possam garantir segurança para as duas partes”, explica Marco Antônio Cerqueira, gerente de marketing da Elementais.

E no caso do vestuário, há outras preocupações a levar em conta. “Precisa ver as possibilidades de expansão dessa marca em território nacional, com cuidado na análise da moda, em relação ao comportamento e às questões de sazonalidade. E se for necessário, ver qual a possibilidade de adequar o mix de produtos para outra região”, afirma Ana Vecchi, da Vecchi & Ancona Consultoria.

Já o franqueado deve atentar para o fato de que a taxa de retorno do investimento pode variar muito de acordo com o mercado local. A empresária Sheylla Senna abriu sua primeira franquia de vestuário em novembro de 2010, junto com a inauguração do shopping center em que está instalada, em Salvador (BA). “A taxa de retorno seria de 24 meses, mas como o shopping é novo, o movimento é baixo. Não tenho ideia de qual será o tempo de retorno”, afirma Sheylla, que planeja abrir em breve outra loja da mesma marca em outro centro de compras, mas já tradicional da cidade, para sustentar a estabilização do ponto ainda desconhecido.

Para não errar ao lançar franquia.

#Operações e procedimentos devem ser replicáveis e possíveis de serem monitorados

#Em muitos casos, exigirá mudanças internas, com a criação de novos cargos

#Avaliar a possibilidade de expansão para o território nacional, considerando características regionais e a capacidade de adequar o mix de produtos a outras regiões

Comprando a franquia certa

#Avaliar a própria capacidade de investimento

#Ter capital de giro suficiente para sustentar uma eventual prolongação do tempo estimado da taxa de retorno

#Afinidade com o produto vendido

#Seguir o direcionamento de marketing colocado pela empresa, sem descuidar de analisar as características da clientela, das tendências de moda

 





segunda-feira, 21 de março de 2011

Biografia mostra como José Alencar montou império e virou vice de Lula; leia capítulo

Escrita pela jornalista Eliane Cantanhêde, colunista da Folha, a biografia "José Alencar - Amor à Vida" traz a seguinte dedicatória da autora: "Ao meu pai, José Araújo Cantanhêde, que morreu aos 63 anos de um câncer tardiamente diagnosticado."

A partir daí, o livro, que marca o lançamento do Primeira Pessoa, selo da editora Sextante, conta os passos que o biografado seguiu para montar um império do setor têxtil e acabar virando vice-presidente da República.

Divulgação

Conheça os livros de autoria da jornalista Eliane Cantanhêde

Alencar luta contra um câncer na região do abdome há 15 anos por meio de sucessivas cirurgias. Antes de sua saga médica, o vice de Lula era uma das vozes mais ruidosas contra os juros elevados do país, dando ressonância aos clamores do empresariado por uma queda significativa da taxa básica da economia, uma das condições para empréstimos mais baratos e maiores recursos para investir na produção.

Leia um trecho de "José Alencar - Amor à Vida".

A FESTA

O senador José Alencar Gomes da Silva pretendia comemorar seus 50 anos de vida empresarial em março de 2000, mas preferiu deixar passar as eleições municipais e realizar uma cerimônia suprapartidária no dia 11 de dezembro daquele ano, no Palácio das Artes, na avenida Afonso Pena, centro de Belo Horizonte. Tudo se passou em grande estilo e mudou o destino de Alencar se não o da própria história brasileira.

Numa festa impecável para mais de 4 mil pessoas, entre governadores, prefeitos, ministros, familiares e os principais líderes empresariais do país, Alencar narrou a história da sua vida de autodidata e self-made man. Apresentou em filme suas fabulosas empresas e abriu alas para Josué Christiano Gomes da Silva, o filho que assumiu o comando do império a partir do seu desvio de rota para a política.

Auditório lotado, Alencar ao lado da mulher, Mariza Campos Gomes da Silva, e a apresentadora oficial anuncia: "Com o fim da Segunda Guerra, o mundo começou a vislumbrar um futuro de progresso e desenvolvimento. Respira-se otimismo e o clima é de crescimento econômico. É nesse ambiente de confiança que um jovem de 18 anos de idade, do interior de Minas Gerais, começa a construir seu futuro. É essa história que nós vamos contar."

A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, regida pelo maestro Emílio de César e acompanhada pela solista Tereza Cançado e pelo Coral Lírico do Estado, confere clima elegante, solene, quase erudito à cerimônia.

Com narração do próprio Alencar, um filme em cores mostra as 11 unidades do grupo Coteminas, desde a matriz, no norte de Minas, até as fábricas de fios, tecidos, toalhas de banho, toalhas de mesa, colchas, lençóis, meias e camisetas na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em Santa Catarina, com nomes como Cotenor, Cotene, Cebratex e Wentex.

"Um colosso!", orgulha-se o narrador, repetindo uma das suas expressões mais frequentes em qualquer ocasião. Na tela, desfilam fábricas moderníssimas, automatizadas, com ambientes climatizados. A Cotenor, em Montes Claros, tem "o maior salão de tecelagem do mundo". A fábrica de lençóis, na mesma cidade, "tem quase um milhão de metros quadrados de área coberta, totalmente climatizada, com umidade e temperatura controladas".

Ainda segundo o ilustre locutor e homenageado do dia, a Wentex, de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, produz 5 milhões de camisetas por mês, todas para o mercado americano: "Estamos colaborando com o esforço nacional para fazer crescer as exportações brasileiras!" E mais: "Não há nada mais moderno e nada nessa dimensão no mundo. Os próprios suíços, que forneceram a maquinaria, dizem isso."

Mas o filme não para aí. O grupo construía àquela altura a usina hidrelétrica Porto Estrela, no Vale do Aço, em parceria com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Companhia Vale do Rio Doce, na base de 1/3 para cada um.

E, last but not least, a Fazenda Cantagalo, que cria gado nelore e produz as cachaças Sagarana, Porto Estrela e, especialmente, a Maria da Cruz "a melhor aguardente artesanal fabricada no mundo", informa o locutor, na dupla condição de fabricante e consumidor.

O filme termina com cenas de meninos e meninas robustos e sorridentes em escolas, consultórios médicos, consultórios dentários, quadras de esporte e piscinas que o grupo oferece às famílias de seus funcionários. "Isso vale a pena, isso realiza muito a gente", ecoa o vozeirão de Alencar.

Fim da projeção, início de um show de ginastas olímpicas da seleção brasileira. O auditório vibra, e o homenageado ri, feliz da vida. Chega a vez do discurso de Josué, caçula e único homem de três filhos, que assumiu o comando da Coteminas aos 26 anos, depois de um desempenho acadêmico brilhante e diplomas de Direito e Engenharia, mais um mestrado em Administração na prestigiada Vanderbilt, nos Estados Unidos.

Seguro, sóbrio, Josué conta aos convidados o principal ensinamento do pai e chefe: "Nada resiste à força do trabalho e à grande confiança no Brasil que ele sempre incutiu em nós." O filho e herdeiro discursa, enaltecendo a postura da Coteminas no ano anterior, 1999, diante da abrupta desvalorização cambial do governo Fernando Henrique Cardoso, que deixara os empresários de cabelo em pé e um rastro de pessimismo, aumentos de preços e demissões.

"A Coteminas foi a primeira empresa que decidiu não aumentar seus preços", afirmava Josué, lendo, palavra por palavra, o texto do anúncio que o grupo publicara em jornais, revistas, rádios e televisões. A fala é quase uma síntese do discurso que Alencar manteve a vida inteira: simples, otimista e profundamente nacionalista.

"O único aumento de que se fala na Coteminas é o aumento da confiança no país. O Brasil é um país de imensas potencialidades, com um povo maravilhoso, dono de uma força interior inabalável. É nisso que a Coteminas acredita, e essa crença está presente em cada trama do tecido de uma toalha, de um lençol ou de uma camiseta que produzimos. Tanto que continuamos investindo em tecnologia e no crescimento de nossas unidades de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Norte. E mais: não estamos aumentando o preço de nenhum dos nossos produtos. Este é o investimento mais importante que a nossa empresa está fazendo: o investimento no futuro do Brasil."

Rindo, Josué pede desculpas ao governador Esperidião Amin, ali presente, por não ter citado Santa Catarina: "Só agora estamos chegando lá, mas não precisa ficar triste."

Tudo o que Amin não estava era triste. Ao assumir a Artex, de Blumenau, o grupo havia não apenas mantido, mas ampliado os empregos e a escola técnica para o setor. "Eles, Alencar e Josué, são parceiros fiéis e confiáveis, por quem tenho respeito e admiração", comenta Amin, uma década depois daquela festa.

Na sua fala, Josué resume a potência em números: investimentos de R$ 100 milhões ao ano, produção multiplicada por quatro de 1994 a 2000, crescimento anual do faturamento na faixa de 41,6%, aumento de 25 vezes nas exportações, com um valor de US$ 120 milhões por ano. E, com solavancos ou não na economia, já estavam contratados U$ 150 milhões de vendas para o exterior no ano seguinte, 2001.

A indústria em geral desempregava, mas Josué informa aos convidados que o grupo Coteminas havia quase dobrado suas vagas. "A única forma de gerar empregos é crescendo", pontifica.

Também arranca aplausos e risos ao falar sobre empréstimos e investimentos a uma plateia de produtores sempre ressabiados com os financiadores. Depois de lembrar o falecido tio Geraldo, o mais velho dos 14 irmãos de Alencar, diz que "o capital também tem de ser remunerado", mas defende que os financiamentos devem ser "conservadores e com taxas competitivas" e repete um ditado muito apreciado no mundo corporativo: "Não se pode entrar em banco nem para se proteger da chuva!"

O herdeiro conta que o pai começou a vida pedindo 15 mil cruzeiros (moeda da época) ao irmão Geraldo e, meio século depois, a Coteminas tinha R$ 1,3 bilhão em ativos, com taxa anual de crescimento de 25,5%.

Alencar fala em seguida, deixando evidente o contraste entre o filho e ele. Ambos são grandes empresários, mas um é elegante e técnico, e o outro, popular, desenvolto, jeitoso, como manda a boa tradição política mineira. Cheio de manha, Alencar é o ponto alto da própria festa, que invade teatro, foyer e saguão de entrada, até chegar aos jardins durante o coquetel.

Enquanto agradece a presença de seis governadores e 12 senadores, um garçom chega de mansinho, deixando um copo d'água no púlpito. Seu nome: Augusto Gerônimo Pedrosa, maître do restaurante da sede da Coteminas em Belo Horizonte desde 1993. Baixinho e meio careca, é uma figura discretíssima, mas conhecida de boa parte dos ilustres e ricos convidados muitos deles habitués de gabinetes ou casas de Alencar em Minas, Brasília, São Paulo e Rio.

Depois de citar governadores como Dante de Oliveira, de Mato Grosso, e Albano Franco, de Sergipe; senadores como Jader Barbalho (PA) e Pedro Simon (RS), do PMDB, seu partido na época, e prefeitos, como Célio de Castro, de Belo Horizonte, Alencar surpreende a plateia com uma deferência especial.

Para "motivo de muita honra mesmo", anuncia: "Aqui está, entre nós, nada mais, nada menos do que o grande brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva." E os aplausos para Lula são, inequivocamente, os mais contundentes de toda a cerimônia. Exceto, é claro, quando o aplaudido é o próprio Alencar.

A gravação da solenidade registra, nesse momento, um zoom em Lula, num terno cinza claro muito bem cortado, acima do peso e coçando a barba ambos, peso e barba, bem maiores do que nos anos seguintes de Presidência da República.

E como o metalúrgico e sindicalista Lula foi parar ali, no covil dos leões ou dos patrões? Simples. Ao emitir mais de mil convites, Alencar incluíra todos os presidentes de partido. O PT enviou os seus dois: Lula, o presidente de honra, e José Dirceu, o de fato e de direito, mineiro e que já andava de olho nesse empresário e político tão peculiar.

Apesar da presença maciça de políticos, Alencar que tinha adiado a festa de março para dezembro para fugir do cronograma eleitoral inicia seu discurso final, todo de improviso, dizendo o oposto do que se constatava ali: "É uma beleza essa festa para o nosso coração. Não é uma festa política, mas uma reunião de amigos, representados em quase todos os partidos."

E cita o líder comunista chinês Deng Xiaoping (1904-1997): "Não importa a cor do gato, o que importa é que ele cace o rato." Ele mesmo decifrou a metáfora: "Não importa a coloração ideológica, o que importa é o bem comum." Aplausos, muitos aplausos naquele auditório, que, ao contrário, tinha coloração ideológica bastante clara. E não exatamente pró-regime comunista chinês.

Apesar disso e do tom eclético, suprapartidário, Alencar faz uma concessão ao PMDB, saudando o senador gaúcho Pedro Simon como "o candidato do nosso partido à Presidência da República". Conforme a história registra, Simon nunca chegaria a ser realmente candidato. E Alencar, muito provavelmente, sabia bem disso. Quis apenas fazer um gesto de cortesia.

Se alguém tivesse de apostar naquele momento, o mais provável era que o astuto empresário e estreante senador, em segundo ano de mandato, preferisse um candidato tucano. Mas não há registro da cúpula nacional do PSDB na festa decisiva. As principais estrelas do partido foram o ex-governador de Minas Eduardo Azeredo, o ex-prefeito de Belo Horizonte Pimenta da Veiga e o então governador de Mato Grosso Dante de Oliveira (1952-2006) que entrou para a história como o jovem deputado da emenda das "Diretas Já", de 1984, e a quem Alencar se referiu com especial carinho.



Como governador, Dante concedera incentivos fiscais para a produção de algodão, que era obviamente fundamental para as empresas de fiação e tecelagem dos Gomes da Silva. O gesto quebrou um tabu. Os produtores nacionais enfrentavam então uma avalanche de impostos, não eram competitivos e o mercado brasileiro estava inundado pela oferta barata da Ásia, da Europa e da África. Dante, sempre visionário, rompeu essa barreira.

"É um milagre o que o Dante está fazendo em Mato Grosso, que produziu no ano passado 320 mil toneladas de algodão, mais do que toda a produção nacional", discursa o homenageado.

Alencar não se esquece de elogiar também o povo brasileiro: "Honesto, pacífico, inteligente, versátil. Talvez a miscigenação nos confira essa versatilidade toda, invejada no mundo inteiro."

E, claro, aproveita para falar num dos seus orgulhos: a capacidade de gerar empregos. A Coteminas somava, então, 12 mil funcionários. Considerando-se as coligadas, eram 16.200, o que resultava em "50 mil brasileiros que vivem dessas empresas". Ao homenagear "os companheiros" que trabalharam durante anos ou décadas na Coteminas, afirma: "Nunca dispensamos ninguém. E temos sobrevivido."

Critica, ora, ora, a carga tributária, um dos seus temas prediletos nos primeiros anos do governo Lula. E, apesar de se identificar mais com o centro, é duro com o então governo de Fernando Henrique uma das ausências mais notadas na ocasião, ao reclamar da venda de empresas estatais "a preço de banana" para pagar os juros da dívida externa. "Estamos negociando mal!", acusa.

O resultado, na opinião de Alencar, era que as indústrias nacionais se viam prejudicadas num rápido e irreversível processo de globalização, sem competitividade ou pelo menos igualdade de condições: "A competição é desigual e predatória", brada sob aplausos.

E, nesse ponto, inicia o relato de sua própria história, desde que saiu de casa na pequena Miraí aos 14 anos rumo a Muriaé, ambas no interior de Minas Gerais. "Mas não foi para estudar, não, porque meu pai não tinha condições de pagar. Foi para trabalhar mesmo." Ao se despedir da família, disse:

- Bênção, pai, bênção, mãe.

Ouviu então do pai, Antônio Gomes da Silva, uma frase que passou o resto da vida repetindo e levando a sério:

- O importante na vida é poder voltar.

Aos 18 anos, pediu a seu Antônio para ser emancipado legalmente (a maioridade era aos 21) e pegou dinheiro emprestado com o irmão Geraldo, quase 18 anos mais velho, para abrir seu primeiro negócio: "A Queimadeira", uma loja de tecidos em Caratinga.

Eram 15 contos de réis, e ele pagava 1,5% de juros ao mês a Geraldo.

Um belo dia, o gerente da agência do Banco Hipotecário e Agrícola do estado de Minas Gerais, também chamado Geraldo - Geraldo Santana-, questionou:

- Ô menino, seu irmão está cobrando juros muito caros! Eu ofereço 1%.

Encucado, Alencar procurou o outro Geraldo, seu irmão, e cobrou. Resposta:

- Eu nunca te cobrei juros. Aquilo é o aluguel do dinheiro!

A plateia quase vem abaixo, as risadas correndo soltas.

E qual a diferença entre juros e aluguel do dinheiro? Geraldo explicou, de irmão para irmão: no banco, a promissória vence e as pessoas têm de pagar de qualquer jeito, senão perdem tudo. Com ele, Alencar só precisaria pagar o aluguel do dinheiro, deixando para amortizar o principal quando tivesse condições para isso.

- Então, você me doou o dinheiro? quis saber Alencar.

Resposta:

- Não doei nada. Quando você fizer capital, você vai me pagar. Mas aí não vai te fazer falta.

Moral da história, 50 anos depois, nas palavras de Alencar: "Aprendi que o dinheiro tem custo e precisa ser remunerado, e que o dinheiro de longo prazo é um estímulo para o jovem começar a vida."

Lembra também o pulo do gato da sua vida empresarial, quando ele e o sócio, Luiz de Paula Ferreira, criaram a Coteminas com apoio da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e como isso foi decisivo para todo o resto da história.

Entre uma coisa e outra, ou entre aquele primeiro empréstimo de Geraldo e o apoio da Sudene, muita água rolou. E, claro, Alencar não deixa de contar ali, naquela solenidade, como começou a vida ganhando 300 cruzeiros por mês como vendedor, morando num cantinho de corredor num hotel barato, depois de uma longa negociação com a proprietária, dona Maria. Ela queria cobrar 280 contos de réis pelo cantinho e três refeições por dia. Ele teria pechinchado ao máximo:

"Foi o primeiro negócio que fiz na minha vida, aos 14 anos de idade", exulta como se tivesse acontecido dias antes. "Equilibrei meu orçamento quando chegamos a 220 contos de réis e com roupa lavada!" Novos aplausos, novos risos. A plateia já estava totalmente cativada.

Dez anos depois, o petista José Dirceu seria capaz de lembrar "daquele discurso belíssimo, politizado, otimista, desenvolvimentista" e da impressão que aquele empresário causara nele e no próprio Lula: "Alencar era contemporâneo, não era alguém do passado. Ficava evidente que era um homem que ia fazer muita coisa, não um homem que já tinha feito. Não era uma comemoração de alguém que estava se aposentando. Porque todo o discurso dele, todo o estilo dele, toda a oratória dele tinham a força de alguém que estava construindo. A sensação que eu tive era de alguém que queria governar o Brasil."

Alencar discursa e, em seguida, Adriano Silva, fiel escudeiro, vai discretamente até Lula, cumprimenta-o e pergunta se gostaria de "falar algumas palavras". Lula retribui o convite com um sorriso, agradece e declina. Depois, cochicha ao ouvido do presidente de fato do PT:

- Zé, vai você, que é de Minas e conhece melhor essa gente aqui.

Dirceu é recebido com pálidas palmas ao se aproximar do microfone, mas faz um discurso essencialmente político e capricha no sotaque mineiro. Em Roma, como os romanos.

"O Lula quis me dar o privilégio de falar em nome dele e do PT porque sou mineiro, e você, José Alencar, honra Minas Gerais e o Brasil como cidadão e homem que sonha com o Brasil", começa Dirceu. E prossegue:

"Este Brasil do qual o senador fala com tanta paixão nunca foi o país do possível, sempre foi o país da audácia e do sonho. Nós temos um sonho para o Brasil, e esse sonho depende muito do empresariado brasileiro. Precisamos de um projeto de desenvolvimento nacional, e esse projeto não existirá sem o empresariado. Hoje, o que assistimos é que grande setor do nosso empresariado vive de costas para o Brasil, não acredita mais no nosso Brasil. De costas para o Brasil, não vamos a lugar nenhum."

Ainda Dirceu:

"O senador José Alencar representa uma liderança daquelas que acreditam no Brasil. Essa é a nossa mensagem aqui, hoje, mensagem de fé no Brasil, uma fé que pode ser muito bem representada pela vida e pela obra do senador José Alencar."

Encerra lembrando uma máxima do próprio pai: "Desejo-lhe muita saúde, porque, como meu pai sempre dizia, do resto, nós cuidamos trabalhando." Foi um voto premonitório, como se veria ao longo da década seguinte.

O desfecho da festa, depois de muitos e muitos discursos de loas ao homem, ao empresário e ao político José Alencar, reserva a leitura, nome por nome, dos mais antigos e fiéis funcionários da Coteminas. Chamam-se ao palco os que ali compareceram para cumprimentar o chefe e patrão.

O primeiro nome citado, para "um preito de profunda saudade", é o de Maria Auxiliadora da Silva Teixeira, a Dorinha, que trabalhou durante anos como representante da Coteminas em Minas e morrera de câncer havia pouco, em 8 de setembro do ano anterior. Ela sempre foi das irmãs mais queridas de Alencar e da família.

Entre os nomes, incluíam-se Fábio Vieira Marques Júnior, primeiro diretor da empresa no Rio Grande do Norte e depois da unidade de Montes Claros, em Minas, e Pedro Garcia Bastos Neto, vice-presidente industrial. Fábio e o filho de Pedro, o engenheiro Rospierre Vilhena Garcia Bastos, também funcionário da empresa, morreriam sete anos depois no acidente do Airbus da TAM que fazia o voo 3054 e explodiu no aeroporto de Congonhas em 17 de julho de 2007, com 187 vítimas a bordo e 12 no solo.

Eles tinham participado de uma reunião na fábrica de Santa Catarina e decidiram antecipar a volta para Minas, embarcando à última hora no voo 3054, que faria escala em Congonhas. A tragédia causou comoção na Coteminas.



Os velhos funcionários cumprimentam Alencar no palco e um batalhão de 200 garçons começa a se mover entre os 15 bufês quando Lula e José Dirceu vão cumprimentar o anfitrião. O papo é ótimo. Lula elogia a cerimônia e o sucesso das empresas, enquanto Alencar agradece pela presença, todo sorrisos. É desse primeiro contato olho no olho que se materializa o convite de Alencar para que os dois fossem pessoalmente visitar as sedes das fábricas do grupo.

Ao deixar o Palácio das Artes, Lula reflete sobre aquele homem que veio do nada e não pôde estudar, construiu um império, conquistou tanto prestígio, tinha mandato, falava de uma forma tão cativante, era um nacionalista convicto, respeitava os empregados e era politicamente liberal na prática, um suprapartidário. De quebra, Alencar era senador por Minas Gerais, estado-chave na eleição presidencial seguinte, a de 2002, e tinha um dom natural para a oratória. Discursava coloquialmente, com carisma e emoção.

Ao entrar no carro e bater a porta, Lula anuncia de chofre para José Dirceu:

- Encontrei o meu vice.

"José Alencar - Amor à Vida"

Autora: Eliane Cantanhêde

Editora: Primeira Pessoa (novo selo da Sextante)

Páginas: 256

Quanto: R$ 39,90

Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

sábado, 19 de março de 2011

Parece Couro, tem Brilho ou Estampa, mas é Jeans

A grife Equus é uma das que apostam no "leather denim":

O acabamento resinado dá aspecto de couro ao tecido

Uniforme básico da juventude, peça versátil para qualquer ocasião - vai do trabalho à festa - o jeans nunca cai de moda. Mas não é por isso que ele não precisa acompanhar os novos tempos. E quando o inverno chegar, o velho jeans vai mostrar uma cara diferente. Uma não: várias. Isso porque a indústria têxtil vem investindo em novos acabamentos para transformar radicalmente o denim. Em alguns casos, o tecido fica com a aparência tão modificada, que chega a confundir o consumidor.

É o caso do chamado "leather denim", um jeans que recebe um acabamento resinado e fica com o aspecto muito semelhante ao do couro. À primeira vista é difícil acreditar que se trata de uma peça feita 100% de algodão. Ele é a aposta de várias grifes brasileiras, caso da HRC (do grupo Aramis), da Equus, da Checklist e da Damyller. Mas não para por aí: efeito 3D, estamparias ou efeito molhado estão entre os acabamentos possíveis que serão usados para "repaginar" o jeans - daqui até o próximo verão.

Depois de detectar a tendência no exterior, a Vicunha Têxtil - que produz 15 milhões de metros de denim por mês - decidiu apostar nos artigos resinados com aspecto de couro.

"Antes, as confecções tentavam obter esse resultado na lavanderia industrial, depois que a peça já estava pronta", explica Patrícia Elena Ribeiro, coordenadora de desenvolvimento de produto índigo da Vicunha. Mas o resultado não era satisfatório: o acabamento não ficava uniforme, as peças não ficavam iguais e o tecido perdia a maleabilidade. "Passamos um ano e meio estudando os processos e indo atrás de fornecedores. Em julho de 2010 lançamos o CarboLumen, o nosso denim com aspecto de couro, na cor preta". A tecelagem não revela detalhes, mas adianta que precisou mexer na fabricação do jeans, para que ele recebesse os produtos químicos e ficasse com a aparência desejada.

De acordo com Patrícia, a aceitação foi imediata, tanto por parte das grifes sofisticadas quanto pelos grandes magazines - mesmo o artigo sendo cerca de 50% mais caro que o denim tradicional. Em janeiro deste ano, a Vicunha lançou o CarboLumen também na cor marrom. "O tecido fica lindo para fazer jaquetas e calças, principalmente. E, no verão de 2012, ele deve aparecer em shorts e saias."

A gerente de produto das grifes masculinas HRC e Aramis, Andréa Machado, foi uma das que comemorou o lançamento da Vicunha. "Quando usamos o tecido que já vem resinado de fábrica, o resultado é melhor. A roupa fica mais macia", diz Andréa. Na HRC, o jeans resinado de preto foi transformado em calças que ganharam o aspecto 3D. A modelagem é mais estreita que a tradicional e ficou com ar mais chique. "É um jeans para ir à balada, que combina tanto com camiseta quanto com camisa", afirma Andréa. Outra aposta da HRC é o jeans amaciado com silicone, que fica com a superfície mais brilhante que a tradicional.

Para Talita Romano, estilista da Folic, não é o caso de achar que o jeans vai perder espaço no guarda-roupa. "Ele virou ícone fashion, por isso ganha, a cada coleção, novos atributos", diz a estilista. A ideia é fazê-lo parecer sempre inédito. Na coleção da Folic há peças de jeans com efeitos de matelassê, resinados, encerados e brilhantes. "O apelo é sofisticado."

Além da questão da aparência mais chique, o "leather denim" tem tudo a ver com o inverno tropical, diz Ana Lima, coordenadora de estilo da grife carioca Checklist. "Ele tem cara de couro, mas é mais leve e não esquenta tanto", diz Ana. Para Damylla Damiani, diretora de estilo da grife de jeanswear catarinense Damyller, o artigo é superversátil: "fizemos vestidos, "trench coats", paletós, jaquetas e calças, femininas e masculinas", diz Damylla. "O tecido é confortável e se presta a modelagens justas ou largas."

Dar ares novos ao velho jeans é a estratégia da Damyller, que se prepara para lançar peças com denim estampado, ainda para a coleção de inverno. "No exterior, quem mostrou o jeans assim foi a grife Dolce & Gabbana ", diz Damylla. A Damyller vai ter jeans com vários desenhos, como flores e bolas. "A tendência deve explodir no próximo verão."

E falando em verão 2012, a Vicunha já tem na manga outra aposta para fugir do lugar comum: o denim "marshmallow". Graças ao acabamento que recebe esse tecido vai ficando mais escuro, conforme é tratado, na lavanderia industrial. "Ele tem a superfície esbranquiçada. À medida que sofre o desbotamento, vai ganhando uma cor mais escura", explica Patrícia. Segundo a coordenadora, o "marshmallow" segue a tendência internacional, que traz ao jeans o aspecto de gesso. Nas próximas estações, diz ela, entrarão na moda os artigos com aparência molhada. Mais do mesmo, porém sempre diferente. Assim é o jeans.


Fonte:valoronline.com.br













Escolha o Seu Tipo de Jeans Conforme o Estilo Desejado

Listamos os 10 tipos mais comuns de formatos de calça jeans

O jeans nunca sai de moda. O que muda são os shapes, as lavagens, os detalhes... O shape (a forma) é tão importante que tem o poder de valorizar ou disfarçar determinadas partes do corpo.

Listamos abaixo 10 shapes femininos. As informações são do pocket de verão 2011 da Damyller, que escolheu o deserto do Atacama para o fotógrafo Sacha Höchstetter fazer seus irreparáveis cliques.

Skinny
Justíssima da cintura à barra, feita em tecido com elastano, para dar maior conforto. Ideal para mulheres de estrutura fina, magras. Mulheres maiores podem usar com tops amplos

Justa
Fica entre a reta e a skinny. Boa opção para usar com tênis

Reta
A mais democrática, pois veste bem qualquer corpo. Use sempre com salto para não criar a imagem de corpo achatado

Boot Cul Slim
É o modelo de shape justo até o joelho, que abre levemente até a barra. Pede salto sempre e, para valorizar a silhueta, blusas, no máximo, até o quadril

Skinny Baggy
Calça ampla com gancho longo e perna levemente afunilada, terminando com a barra bem justinha

Sarouel
Promete virar clássico. Vem com maxigancho, que dá volume à região do quadril. Use com tops sequinhos, para equilibrar as proporções

Boyfriend
Tem a mesma estrutura das calças masculinas, dando a impressão que você pegou a calça do namorado. Use sempre com a barra dobrada, deixando todo o calçado à mostra

Cigarrete
Com a estrutura de uma skinny, termina na região do tornozelo

Súper
Enquanto a calça tradicional possui 88cm de entrepernas, a súper tem 92cm. Para quem possui estatura acima da média

Jegging
Mistura de jeans e legging (também da foto do topo), conhecida ainda como second skin. É o shape do momento, opção para quem quer definir as curvas. Use com blusa, camiseta ou baby t-shirt larguinha.

 
 
 
 





Fonte:clicrbs.com.br








Sindroupas contra falsificação de Atestados

Apresentar atestado falso na empresa pode trazer consequências trabalhistas e penais ao trabalhador e demais envolvidos na fraude.

Para combater essa prática, o Sindicato da Indústria de Alfaiataria e de Confecções de Roupas de Homem de Fortaleza (Sindroupas) realizará na FIEC, no dia 11 de novembro, às 17h30, a segunda reunião para debater o tema e buscar soluções nos órgãos públicos, conselhos que regulamentam o exercício das profissões de médico e dentista, além de todas as entidades representativas das categorias envolvidas no problema que vem afetando a produtividade da indústria cearense.

Na última quarta-feira (21), empresas do setor de confecção no estado, apresentaram na FIEC, a representantes da Superintendência Regional do Trabalho (SRT/CE) e do Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec) documentos que comprovam o uso de atestados falsos por parte de trabalhadores do segmento. Uma das empresas presentes ao encontro revelou ter demitido em outubro 21 funcionários por justa causa, por causa da entrega de atestados falsos para se ausentarem ao trabalho. A empresa comprovou as falsificações com os médicos em questão.

Noutra indústria de menor porte, com 250 funcionários, foi contabilizado no mês passado o recebimento de 80 atestados. No período de 90 dias, um só trabalhador apresentou 25 atestados. A estatística apresentada pelo empresário revela que a segunda-feira é o dia que concentra mais da metade das faltas. “Se é verdade que meus funcionários estão adoecendo tanto, então isso é um problema de saúde pública. Portanto, o estado é que tem de arcar com o ônus, não a empresa”, comentou um dos diretores presentes ao encontro. Outra fábrica se deparou com dois casos comprovados pelo Cremec do uso de atestado contendo assinatura de dois médicos falecidos há mais de dez anos.

Entre os pleitos de empresários e executivos da indústria de confecção do Ceará está a exigência de timbre no formulário do atestado, a assinatura completa do médico em vez da simples rubrica, que é mais fácil de ser falsificada, intensificação da fiscalização por parte do poder público, a implementação de um sistema único eletrônico do Cremec vinculado aos consultórios médicos para registro dos documentos e o apoio do conselho na apuração das denúncias enviadas pelas empresas.

Segundo o presidente do Sindroupas, Túlio Colares, as fraudes têm diversas origens. Alguns atestados são comprados a dois quarteirões das fábricas, com preços que variam de R$ 5,00 a R$ 10,00. Outros pontos de negociação, de acordo com os próprios confeccionistas, são os terminais de ônibus, como Siqueira e Parangaba, além de postos de saúde e estabelecimentos localizados no centro da cidade. “Na rua Senador Pompeu existem várias placas com os dizeres ‘fornecemos atestado médico’. Será que atrás de todas as portas com esse tipo de anúncio há mesmo profissionais habilitados a diagnosticar e conceder atestados? O poder público não pode fiscalizar isso?”, questionou um dos executivos.

O representante do Cremec, Antônio Pádua de Farias, comprometeu-se a investigar os casos que forem encaminhados ao Conselho de Medicina. Já o procurador regional do trabalho Francisco Gérson Marques de Lima sugeriu a realização de novo encontro, com a participação de outros setores industriais e dos sindicatos de trabalhadores para unirem esforços no combate à ilegalidade. “Esse problema não é só de vocês, mas também afeta muitos outros segmentos”, garantiu o procurador, segundo quem cabe à Procuradoria Regional do Trabalho tomar providências administrativas e trabalhistas. Ele sugeriu convidar para a próxima reunião a Procuradoria Geral de Justiça do estado, que está apta a aplicar penalidades às quais as fraudes estão sujeitas.

“A intenção do nosso sindicato, com a iniciativa, não é confrontar ninguém. Queremos produzir e progredir no nosso negócio e fazer com que o Ceará volte a ser o grande polo de confecções que já foi um dia. Queremos parceiros que investiguem e combatam essa fraude para que nós possamos manter nosso foco na produção de roupas”, resume o empresário Túlio Colares.





sexta-feira, 18 de março de 2011

Quando a China vai dominar o mundo?

A pergunta ganha força no momento em que os chineses tiram do Japão o posto de segunda maior economia.

Em seu admirado livro sobre a China, escrito há pouco menos de 100 anos, o intelectual inglês Bertrand Russell traçou num dos capítulos o perfil do caráter chinês. Mistura de filósofo, matemático e historiador, Russell, que morou na China, questionou o mito da “sutileza inescrutável chinesa”, mas sublinhou uma característica que particularmente o impressionou. “Os chineses, ao contrário dos ocidentais, pensam não em décadas, mas em séculos”, afirmou.

 
Russell previu que, a despeito de todas as dificuldades enfrentadas naqueles dias pela China — virtualmente ocupada pelas potências ocidentais —, o país haveria no futuro de disputar com os Estados Unidos a liderança do mundo.

 
Naquele momento, parecia uma afirmação descabida. A China vivia seu “Século da Humilhação”. Fora derrotada pela Inglaterra nas duas Guerras do Ópio, em meados do século 19, e depois rapidamente batida pela nêmesis Japão em 1904.

Uma revolta de guerreiros chineses — os boxers — contra a ocupação ocidental foi destruída pelas balas em relação às quais eles estranhamente se julgavam invulneráveis. A China várias vezes pagou o pedágio de ser militarmente fraca. “O melhor soldado às vezes é o que não luta”, está dito no Tao Te King, um dos livros cultivados fervorosamente pelos chineses. É possível que a China tenha levado isso muito a sério.

Se provocava risos no momento em que foi feito, hoje o prognóstico de Russell se converteu em realidade. Como era esperado, a China acaba de superar oficialmente o Japão para se tornar a segunda maior economia do mundo. Seu PIB de 5,5 trilhões de dólares agora só é menor que o dos Estados Unidos.

A distância ainda é considerável: o PIB americano é quase três vezes maior. Mas ela vem encurtando extraordinariamente rápido graças ao crescimento explosivo da economia chinesa nos últimos 30 anos combinado com um demorado ciclo de estagnação dos Estados Unidos.

No comentado e controvertido livro When China Rules the World (“Quando a China dominar o mundo”), o acadêmico inglês Martin Jacques prevê que a troca de comando na primeira posição se dará em 2050.

Uma imagem que foi recentemente usada no Fórum Econômico Mundial em Davos é expressiva. Segundo ela, o trem chinês já partiu rumo à liderança. A dúvida é quando ele chegará ao destino. Embora os chineses raciocinem em séculos, como disse Russell, o momento da partida do trem é relativamente recente.

Há pouco mais de 30 anos, o então líder chinês Deng Xiaoping flexibilizou a economia. Permitiu que as pessoas montassem seus próprios negócios — até então um anátema no comunismo moldado por Mao Tsé Tung — e disse: “Enriqueçam”.

Paralelamente ao avanço chinês, as duas superpotências dos dias de Deng (na China, o nome da família vem primeiro), Estados Unidos e União Sovié-tica, foram tropeçando. Em grande parte, pelos gastos armamentistas astronômicos em que se envolveram desde a Segunda Guerra Mundial, quando parecia que poderiam se enfrentar num conflito militar.

A União Soviética simplesmente acabou na lata de lixo no final da década de 80. Quanto aos Estados Unidos, as despesas com armas — elevadas à máxima potência na gestão Ronald Reagan no programa Guerra nas Estrelas — provocaram déficits colossais nas contas do país e estão na raiz de sua baixa velocidade econômica das últimas décadas.

Os Estados Unidos, para usar uma expressão que vai se consagrando, vivem hoje um “Momento Sputnik”. A referência é ao satélite artificial que há meio século deu vantagem competitiva à Rússia na corrida espacial que as duas superpotências travavam. Os Estados Unidos conseguiram virar a tendência e acabaram suplantando a Rússia.

E agora, a mágica se repetirá? É uma questão em aberto. Mas não são muitas as pessoas que apostam na manutenção da liderança americana no longo prazo — ou até mesmo no médio. Não, pelo menos, na “Era dos 10%”, como definiu o economista Nouriel Roubini. Nessa era de que fala Roubini, enquanto a China cresce 10% ao ano, os Estados Unidos se debatem com um desemprego também de 10%.

A China também procura um novo caminho. Recentemente, seu governo lançou as bases do 12o Plano Quinquenal. A prioridade é o desenvolvimento científico. Muitos passos já foram dados aí. O último relatório da Unesco nota que a China está prestes a ultrapassar os Estados Unidos em número de pesquisadores.

ciência é essencial para que a China consiga realizar sua meta de ter uma xiaokang — uma sociedade com padrão de vida elevado. A despeito de todos os seus avanços, a China ainda oferece à maior parte de seus cidadãos um padrão de vida bem inferior ao das potências ocidentais.

Há, entre os chineses, um clamor para que a flexibilidade dos últimos 30 anos se acentue — e vá da economia para a política. “Internamente, a real força por trás do crescimento da China — mais de três décadas de caminhada em direção à economia de mercado — enfrenta novos e críticos desafios que demandam mais, e não menos, flexibilidade”, afirma o jornalista Wang Shuo, editor do Caixin Media, um grupo jornalístico chinês.

Shuo nota que, em lugar de ser admirada pela vitalidade econômica, a China vem se transformando num foco de preocupações. “A China tem de reagir a essas percepções sombrias mostrando ao mundo mais flexibilidade”, diz ele. A era do “perfil baixo diplomático”, de toda forma, está encerrada, como diz Wang.

Como seria um mundo dominado pela China? Não muito diferente, ao contrário das paranoias que circulam sobre o “perigo amarelo”. A China nunca foi militarista. Como escreveu Bertrand Russell, os chineses admitem sua fraqueza militar, mas não consideram que “a habilidade em matar” seja uma virtude numa pessoa ou num país.

Provavelmente a mudança mais notável entre os ocidentais é que eles terão de se virar para aprender o mandarim — até eventualmente para trabalhar na China, onde as oportunidades profissionais tendem a ser formidáveis.

Entre os intelectuais chineses, a nova fase gera apreensão. “Hoje, o povo chinês lembra mais os ocidentais do século 19 que os de hoje”, afirma Xu Jilin, professor de história da Universidade Normal da China Oriental. “Você vê nas pessoas um espírito burguês marcado pelo desejo intenso, vitalidade, crueldade e obsessão com bens materiais.”

Xu teme que o ancestral caráter confucionista — derivado de Confúcio, filósofo de 2 500 anos atrás — acabe se perdendo. Confúcio, num pequeno livro que seguidores seus escreveram com base em suas falas, os Analectos, pregava simplicidade e frugalidade. O consumismo atual da sociedade chinesa é bem pouco confucionista.

Entre os ideólogos do Partido Comunista — o único permitido no país, mas pragmático o suficiente para promover uma economia de mercado mesmo mantendo a fachada socialista —, há outra preocupação. Eles temem que o enriquecimento do país aumente as desigualdades sociais.

“A elevação do padrão material de vida tem sido acompanhada por uma crescente disparidade na distribuição da riqueza”, afirma Yu Keping, do Comitê Central do Partido Comunista. “As virtudes da justiça social parecem hoje mais importantes ainda que antes. O crescimento, sozinho, não diminui as desigualdades.”

Também Yu enxerga uma mudança do foco, para o futuro, da economia para a política. A estabilidade política “estática” do país, marcada por restrições, deve, segundo ele, ceder lugar a uma “estabilidade dinâmica”, à base de liberdade de expressão. “Se perdermos a oportunidade de promover reformas políticas ao lado do desenvolvimento científico, os problemas vão se agravar. A credibilidade do governo irá para o abismo, e os ganhos trazidos pelo crescimento poderão se perder.”

Os recentes acontecimentos no Oriente Médio mostram bem o que pode acontecer quando reformas políticas não aparecem por períodos prolongados.

Claro que a situação da China é diferente do lamaçal típico do Oriente Médio — um país que cresce 10% ao ano há três décadas provoca orgulho, mais do que insatisfação, em seus cidadãos. Mas mesmo assim há no mundo árabe em convulsão uma mensagem para o governo chinês: entre os artigos que as pessoas aspiram a consumir, o mais precioso é a liberdade.


FONTE: PORTAL EXAME





História da Camiseta

Assim como a calça jeans, a camiseta é uma peça de roupa indispensável na vida de quase todo mundo em qualquer lugar do planeta. E isso vale para pessoas de todas as idades, do bebê ao vovô. Sem falar do preço acessível, o que a torna ainda mais democrática até do que o próprio jeans. Mas de onde a camiseta veio, quando surgiu e como foi que ela se tornou assim tão popular?

Bom, tudo começou com a Revolução Industrial, iniciada no século 18 e as máquinas inventadas para a produção de malhas. A industrialização têxtil no Brasil deu seus primeiros passos em meados do século 19, com a instalação de fábricas nos Estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com destaque para as de algodão.

A relevância dessa fibra na indústria têxtil não foi alcançada à toa. É uma fibra nobre, que se combina com rara afinidade ao poliéster, permitindo a produção de tecidos de qualidade, resistentes ao amarrotamento. No entanto, a confecção de camisetas recomenda fios de puro algodão, deixando o Brasil em uma confortável posição em relação ao comércio exterior.

Até os anos 50 a camiseta era usada apenas como roupa de baixo, para proteger o corpo da transpiração e das mudanças de temperatura. E foi só a partir dessa época, quando foi adotada pela juventude como símbolo de contestação, que ela ganhou o seu lugar no mundo. Nos anos 60, a camiseta era a porta-voz das novas mensagens que contestavam e ironizavam os valores da sociedade. Ainda artesanal, junto com o jeans e o tênis, ela se transformou no uniforme oficial dos jovens.

Muito do seu sucesso se deve ao cinema de Hollywood e suas estrelas, como Marlon Brando e James Dean, em filmes famosos como Uma Rua Chamada Pecado e Juventude Transviada. Se os atores mais desejados do mundo usavam, a moda estava lançada e o sucesso garantido.

Durante os anos 70, a moda unissex indicava uma idéia de liberdade, deixando essa peça extremamente confortável ainda mais forte no mercado. Nos anos 80, as t-shirts eram supercoloridas e podiam comunicar, através de desenhos, palavras e frases de efeito. Nos 90, ela ajudou até a derrubar um presidente brasileiro.

Atualmente a camiseta é item fashion, feita para revelar um estilo, uma atitude. Se você é clássica, use uma branca com uma calça ou saia preta. Coloque um colar de pérolas e uma flor, a própria Chanel. Mas se a idéia é ser rebelde, use uma rasgada, furada, com as mangas cortadas, junte um jeans detonado e o estilo punk-rock está pronto. Mas o seu jeito é romântico? Que tal uma cor de rosa, customizada com laços de fita, acompanhando uma saia floral? Aliás, a palavra-chave atual para a camiseta básica de todo dia é customização, aquela interferência pessoal que deixa qualquer roupa com uma cara única.

De acordo com a socióloga Sílvia Simas, em texto publicado no livro a História das camisetas de 1997, publicado pela Hering, o mercado brasileiro de camisetas chega a produzir 450 milhões de peças anualmente, gerando 400 mil empregos diretos. "Fazendo as contas, cada brasileiro teria no seu guarda-roupa, em média, quatro novas camisetas por ano. Uma proporção que muitos segmentos estão longe de alcançar", explica Sílvia Simas.

Segundo a socióloga, trata-se de um mercado que tem seu consumo distribuído igualmente entre homens e mulheres. "As classes A e B respondem por 20% das vendas; a classe C por 30% e os 50% restantes são divididos pelas classes D e E", aponta.

A pesquisa mostra ainda que o principal consumidor das camisetas é o jovem. "Cerca de 30% dos seus consumidores são crianças até 10 anos; 40% são jovens dos 11 aos 24 anos; 10% de 25 a 34 anos e 20% acima dos 35 anos".

Linha do tempo:

Antigüidade - Os romanos usavam uma túnica dupla, chamada camisia, que é a ancestral das nossas camisetas. Era sempre branca, feita quase sempre de linho. Era usada por baixo da única para proteger da transpiração.

Século 4 - A camisia continuava a ser usada por baixo das peças em Constantinopla. Os tecidos das peças superiores eram muito ricos, bordados com ouro, prata e pedras preciosas, e por isso não dava para lavá-los. A camisia era usada por baixo dessas peças nobres para evitar que sujassem.

1516 - O italiano Michelangelo termina a estátua O Escravo Moribundo, que retrata um homem vestido apenas com uma peça de roupa, bem diferente das usadas na época: uma camiseta regata. Apesar da ousadia, a moda não pegou.

Século 19 - As roupas das crianças começam a ficar mais infantis, em vez de serem reproduções das dos adultos em miniatura. A camisia era a única vestimenta até os 5 ou 6 anos. Era usada também para batizar as crianças.

Até início do século 20 - A camiseta, ainda restrita à Europa, é usada como roupa de baixo, para proteger os homens da transpiração e do frio. Para não rasgar as camisas, os trabalhadores braçais usam só a camiseta para trabalhar.

1ª Guerra Mundial - Soldados europeus usam, por baixo dos uniformes, confortáveis camisetas feitas de algodão. Os americanos, morrendo de calor em seus uniformes de lã, adoram a novidade e a levam para os Estados Unidos. O design em formato de T leva a peça a ficar conhecida como T-shirt, em inglês.

2ª Guerra Mundial - A camiseta é peça-chave no uniforme da Marinha e do Exército Americano. Ainda é considerada roupa de baixo, mas o público acostuma-se a ver nas revistas fotos dos soldados com camiseta, sem camisa por cima, ao fazerem trabalhos pesados ou em lugares quentes.

1948 - Candidato à presidência dos Estados Unidos, Thomas E. Dewey faz uma das primeiras camisetas de propaganda da história, com os dizeres “Dew it for Dewey”.

1951 - Marlon Brando aparece de camiseta no filme Um Bonde Chamado Desejo. A peça é o destaque perfeito para os músculos do ator. A partir dessa época, a camiseta sem camisa por cima passa a fazer parte da indumentária das pessoas também na vida civil.

1955 - Na trilha aberta por Brando, James Dean aparece de camiseta em Juventude Transviada. Camiseta vira sinônimo de rebeldia e contestação. As crianças continuam usando a camiseta por baixo da roupa, pois não era considerado adequado ficarem em mangas de camisa.

Anos 60 - Na esteira do movimentos anti-guerra e a favor da liberdade, a camiseta veste as cores psicodélicas dos hippies e passa a trazer mensagens pacifistas, na linha de “Faça Amor, Não Faça Guerra”. Nessa época, as mulheres também passam a usar a peça, que se torna unissex.

Anos 70 - As camisetas são usadas tanto como meio de expressão dos anseios da juventude quanto como suporte para propaganda, carregando símbolos de marcas de refrigerante.

Anos 80 - Na década dos yuppies, jovens ligados ao consumismo e ao individualismo, a moda passa a ser ostentação de dinheiro e poder, e a camiseta começa a trazer bem grande as marcas das grifes.

Anos 90 - A falta de ideologia dos jovens da década aparece nas roupas largas e largadas dos grunges. A camiseta é usada por qualquer segmento da sociedade, sem comprometimento com causas, ideologias ou faixa etária.

Anos 2000 - Não existem regras. A customização é a palavra de ordem. A camiseta continua democrática e servindo a todos os gostos, desde as campanhas políticas à estampa de filmes e grupos musicais preferidos. As grandes marcas começam a investir mais nas linhas infantis, e cada vez mais peças voltadas a esse público são produzidas.

 
Fonte:designdecamisetas.blogspot.com/